Como apostar em eventos desportivos em 2026: a margem entre a cota e o ganho

Updated Outubro 2026
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Uma casa de apostas a servir jogadores portugueses tem de ter licença do SRIJ para apostas desportivas à cota, um sítio em .pt e nada menos: em dois mercados iguais a 1,90 sobra à casa menos de um décimo de cada euro apostado.

Uma bola de futebol no ponto central de um relvado, à luz da manhã
Em 30 de julho de 2026, o SRIJ divulgou que a Retabet (Retabet Portugal, S.A.) e a Vincino (Play Jogo Limited) passaram a ser entidades autorizadas a explorar jogos e apostas online em Portugal.

30 Outubro 2026 — dados conferidos face à lista «Entidades licenciadas» do SRIJ, atualizada a 19 de outubro de 2026, e face à página «Modalidades e competições» do mesmo serviço, de 9 de outubro de 2026.

Índice de conteúdos
  1. Do registo ao pagamento: o itinerário de uma aposta
  2. Oito casas com licença, oito maneiras de organizar o ecrã
  3. O que está no centro: cota, stake e resultado
  4. O enquadramento legal: quem pode, onde e como
  5. Jogo responsável: onde a diferença aparece
  6. Crypto, bitcoin e o que a lei não diz
  7. Estratégia: o que se pode e o que não se pode fazer
  8. Formatos de aposta: o que a cota faz consigo
  9. Desportos e competições: onde está o calendário
  10. Margem: a conta que toda a gente evita
  11. Perguntas frequentes

Do registo ao pagamento: o itinerário de uma aposta

Há um caminho, e é o mesmo em todas as casas com licença portuguesa. O que muda é quanto tempo demora cada passo, quanto se pode apostar e que mercados aparecem no ecrã.

Uma bola de futebol pousada sobre um talão de apostas em branco numa mesa de madeira, à luz do dia
No Placard.pt o valor mínimo de uma aposta é de 0,10 € (dez cêntimos).

O primeiro passo não é escolher um jogo. É abrir conta. O registo pede o número de identificação fiscal do jogador e os identificadores da sua própria conta de pagamento, aquela que está em nome dele e onde os levantamentos serão ordenados. A idade mínima é 18 anos e a identidade é verificada com o Cartão de Cidadão, com a Chave Móvel Digital, com uma verificação em tempo real através do SRIJ ou com uma cópia de documento. O art. 37.º do Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online (RJO) está detrás desta sequência: não há jogo sem dinheiro com euro, com conta com nome, sem saber quem está do outro lado do ecrã. E há uma conta por pessoa e por sítio (art. 40.º n.º 2). Quem joga em dois endereços diferentes está a confirmar a mesma identidade duas vezes, e essa duplicação não serve a ninguém.

O segundo passo é o depósito. Ele entra por cartão de débito ou de crédito registado em nome do jogador, ou por um prestador de serviços de pagamento aceite pelo operador — no Placard.pt é assim que os termos descrevem a entrada de dinheiro. Os instrumentos de pagamento têm de ser eletrónicos, em euros, emitidos por prestadores autorizados e identificar quem paga. Um operador não pode fazer empréstimos a um jogador (art. 42.º). Nada disto impede o multibanco ou o MB Way numa casa concreta; impede é outra coisa, mais séria: que a conta de pagamento seja de outra pessoa. Um levantamento feito para a conta de um amigo é a forma mais rápida de transformar ganho em problema.

O terceiro passo é a aposta. Escolhe-se o evento, o mercado, a cota e o montante. O valor mínimo é uma escolha do operador, não da lei: o Placard.pt trabalha com um mínimo de 0,10 €, e a Solverde.pt também coloca o mínimo da aposta desportiva em 0,10 €, sem limite máximo fixo — esse depende do evento, do tipo de aposta e do mercado. A Orientação n.º 1/2017 é explícita quanto ao resto: cada operador pode fixar os seus limites, publicá-los e aplicá-los igualmente a todos, e não pode limitar ou condicionar a aposta de um jogador ou de um grupo. Ou seja, o limite máximo de uma partida grande pode mudar de evento para evento, mas o mesmo critério vale para toda a gente. Se um valor é recusado num mercado e aceite noutro, a razão está no mercado, não numa decisão sobre a sua conta.

O quarto passo é a liquidação. Na Solverde.pt, os ganhos de uma aposta desportiva são pagos assim que todos os eventos da aposta terminam, num prazo máximo de 15 minutos. É uma promessa curta porque a aposta era simples; uma múltipla só se liquida quando o último evento acaba, e um evento ao vivo fica dependente do momento em que o jogo é declarado terminado.

O quinto passo é o levantamento. O Placard.pt ordena-o para a conta de pagamento titulada pelo jogador no prazo máximo de 48 horas, e só depois de a identidade e a titularidade dessa conta estarem comprovadas. A Betclic anuncia levantamentos imediatos feitos dentro da aplicação, com os ganhos a chegar em minutos. A diferença entre quinze minutos para as apostas e até quarenta e oito horas para o dinheiro sair não é uma inconsistência: uma é a liquidação da aposta, a outra é o movimento bancário. Vale a pena saber qual das duas está atrasada antes de ficar à espera.

Há, portanto, cinco momentos em que uma aposta pode travar: na verificação de identidade, no depósito que não entra, na recusa de um valor, na liquidação de uma múltipla e no levantamento. Só o terceiro é uma escolha do operador sobre um mercado. Os outros decorrem da lei, da conta de pagamento ou da própria disciplina.

Oito casas com licença, oito maneiras de organizar o ecrã

Uma lista de casas com licença não é um ranking e não é uma recomendação. Nenhuma marca é «a» legal: a licença é a mesma para todas, e o SRIJ publica 19 entidades, das quais 13 detêm a licença de apostas desportivas à cota — 10 em atividade e 3 suspensas a pedido da própria entidade. Uma suspensão é uma pausa voluntária, não é revogação nem fuga para o estrangeiro. A lista também não esgota o mercado: outras marcas autorizadas existem, e a ausência de uma delas aqui não é uma acusação. O que separa as casas abaixo é a forma como cada uma cumpre os mesmos passos do itinerário.

Operadora Licença e entidade licenciada O que os termos próprios dizem sobre o assunto
bwin Licença n.º 001 não; n.º 002 «Apostas desportivas à cota», entidade GOBET-Entretenimento, S.A. A app inclui transmissões em direto de jogos de futebol e eventos selecionados; depósitos por MBWay, Multibanco, PayPal, Visa, MasterCard e Apple Pay
Casino Portugal Licença n.º 007 «Apostas desportivas à cota», entidade SFP Online S.A. Depósitos e levantamentos diretamente na aplicação; acesso aos principais eventos desportivos; idade mínima de 18 anos e conta registada
Betano Licença n.º 018 «Apostas desportivas à cota», entidade Kaizen Gaming International Limited Oferta de boas-vindas multiproduto até 250 € em quatro etapas, com apostas grátis, rodadas e uma etapa de aposta sem risco
ESC Online Licença n.º 008 «Apostas desportivas à cota», entidade Estoril Sol Digital, Online Gaming Products and Services, S.A. Uma aposta grátis de 10 € por cada 10 € depositados, até dez; cada 10 € apostados a cotas de 2,00 ou superiores desbloqueiam uma aposta grátis, com ganhos pagos em dinheiro real
Betclic Licença n.º 001 «Apostas desportivas à cota», entidade BEM Operations Limited Cash Out para encerrar a aposta antes do resultado; modo FastBet em direto; Multiboost e Supersub; levantamento imediato na aplicação
Solverde Licença n.º 024 «Apostas desportivas à cota», entidade Solverde – Sociedade de Investimentos Turísticos da Costa Verde, S.A. Aposta mínima de 0,10 €, sem máximo fixo; sem Cash Out; ganhos pagos em até 15 minutos
Placard.pt Licença n.º 013 «Apostas desportivas à cota», entidade SAS Apostas Sociais, Jogos e Apostas Online, S.A. Aposta mínima de 0,10 €; limites de apostas, depósitos e perdas; sem limites próprios de depósito e levantamento além dos legais do instrumento de pagamento
LeBull Licença n.º 027 «Apostas desportivas à cota», entidade Southern Stingray, S.A. Futebol, ténis e basquetebol com cotas e mercados atualizados em tempo real; a app remete para a autoexclusão do SRIJ

bwin: diretos e formas de pagamento, a aposta fica por descrever

A bwin detém a licença n.º 002 de apostas desportivas à cota, emitida pela entidade GOBET-Entretenimento, S.A. O que os seus próprios termos de aplicação descrevem com precisão são os transmissões em direto de jogos de futebol e de eventos selecionados, e um leque de entrada de dinheiro que passa por MBWay, Multibanco, PayPal, Visa, MasterCard e Apple Pay.

Sete métodos de pagamento num cartão de loja de telemóvel valem mais do que parecem. O MB Way e o Multibanco resolvem o depósito instantâneo sem cartão bancário à mão; o PayPal resolve a devolução para quem não quer receber o dinheiro na conta corrente. Para quem aposta pequenos valores com frequência — 0,50 € numa jogada de.Version, meia hora antes do jogo — a fricção do depósito é o que decide se a aposta existe ou não.

O que os termos da aplicação não descrevem é o resto: nem o valor mínimo da aposta, nem a velocidade de liquidação, nem que mercados Beyond estão disponíveis em direto. São coisas que se descobrem no sítio e nas páginas de ajuda da marca. Não é uma crítica ao operador; é o sítio dele que é a fonte completa, e uma página de loja de aplicações nunca foi um regulamento.

Casino Portugal: o desporto entra pela porta das traseiras

A licença n.º 007 pertence à SFP Online S.A. A aplicação permite depósitos e levantamentos diretamente dentro dela e dá acesso aos principais eventos desportivos, com idade mínima de 18 anos e conta registada; o apoio ao cliente responde por correio eletrónico.

Ter uma casa de casino com uma secção de desporto não é estranho, e há uma razão estrutural para isso: as categorias de licença são separadas (art. 12.º n.º 1), e uma licença de casino não diz nada sobre o livro de apostas. O que se vê aqui é a vantagem de uma aplicação com depósitos e levantamentos no mesmo sítio — menos saltos entre menus, menos endereços por decorar. E a desvantagem visível: o regulamento do desporto vive em páginas que a loja de aplicações não reproduz. Quem trate esta casa como uma casa de apostas tem de ir buscar as condições do desporto ao sítio da marca.

Betano: a oferta mais escalonada da lista

A licença n.º 018 está em nome da Kaizen Gaming International Limited. A oferta de boas-vindas é multiproduto e chega a 250 €, repartidos por quatro etapas: na primeira, um depósito de 10 € dá 30 € para jogar (20 € em apostas grátis e 20 rodadas); na segunda, bónus de 100 % até 100 € e 5 € em aposta grátis; na terceira, 10 € em aposta grátis; na quarta, aposta sem risco até 100 €.

Quatro etapas é uma estrutura, não um convite. Um bónus de boas-vindas que se reparte por quatro passos obriga a atravessar quatro barreiras, e o que interessa a quem o vai usar não é o total de 250 €: é a etapa que dá menos e devolve menos por cada euro apostado. A etapa mais barata é a terceira — 10 € em aposta grátis — e a mais cara é a primeira, porque para chegar a ela é preciso depositar antes de apostar.

«Aposta sem risco até 100 €» merece uma pausa antes de ser aceite como é escrita. É o rótulo de uma oferta em que a aposta perdida é devolvida sob a forma de aposta grátis, e uma aposta grátis não é o dinheiro que se perdeu: é uma nova aposta em que, se falhar, a stake não volta. O valor do reembolso é nominal; o seu conteúdo depende da aposta que se fizer a seguir. A palavra «risco» que desaparece da frase é a única que interessa.

ESC Online: a oferta que se ganha a apostar, não a depositar

A licença n.º 008 é detida pela Estoril Sol Digital, Online Gaming Products and Services, S.A. A oferta de boas-vindas para apostas desportivas dá uma aposta grátis de 10 € por cada 10 € depositados, até dez (máximo de 100 €). Cada 10 € apostados em dinheiro real a cotas de 2,00 ou superiores desbloqueiam uma aposta grátis, e os ganhos das apostas grátis são pagos em dinheiro real.

É a única das ofertas da lista que liga a entrega ao que se faz no jogo e não ao que se deposita. Depositar 100 € dá as dez apostas grátis; mas quem não depositar e apostar com o que tem, continua a desbloquear uma por cada 10 € a cotas de 2,00 ou mais. A cota mínima de 2,00 é o filtro: Cutting as apostas de 1,40, onde o retorno é curto, deixa de contar. Para quem joga partidas inteiras e aceita uma cota de duas, o caminho existe. Para quem aposta uns duzentos euros no jogo favorito, com cotas de 1,20, não existe.

Que os ganhos da aposta grátis sejam pagos em dinheiro real é a condição que torna a oferta decente. Uma aposta grátis em que o ganho também fica em saldo de bónus empurra o jogador para uma segunda rodada de bónus, e essa segunda rodada é onde a maioria das ofertas perde o bettor. Esta diz claramente que não.

Betclic: a casa com mais funções e a única com patrocinadora oficial

A licença n.º 001 está em nome da BEM Operations Limited. É a marca que mais coisas tem na aplicação: Cash Out para encerrar uma aposta antes do resultado estar fechado, modo FastBet em que a aposta fica confirmada em três toques no ecrã em direto, Multiboost a aumentar as cotas das múltiplas até +50 % em ganhos, Supersub, Missões Jackpot com um pote de apostas grátis reservado a desafios ligados aos jogos em destaque do dia, e Boosts que o jogador aplica às apostas elegíveis. Os levantamentos são imediatos, feitos na aplicação, com ganhos a chegar em minutos. E a marca apresenta-se como patrocinadora oficial da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal Betclic, com acesso às principais ligas de futebol, ténis e basquetebol.

Com esta lista, a escolha deixa de ser sobre odds e passa a ser sobre o que se quer da aplicação. Quem entra e sai do jogo em minutos precisa do FastBet e do Cash Out; quem passa a tarde nos mercados de fim de semana appreciates a ligação ao futebol português, que a presença na Liga Portugal torna mais informativa; quem joga em vários desportos encontra a cobertura transversal.

Duas das funções merecem uma nota. O Multiboost é a mais atraente na folha e a mais irrelevante no resultado: +50 % em ganhos só existe se a múltipla for ganha, e quem ganha uma múltipla de quatro pernas não ganha por causa do bónus. O Supersub, pelo contrário, faz o que promete — dá a aposta como ganha se o suplente do marcador escolhido fizer um golo — e isso muda o perfil de risco da aposta, mas não aumenta a probabilidade de a aposta estar certa. Nenhum dos dois move a margem de um mercado: mexe no que se recebe quando se acerta, não na likelihood de acertar.

Solverde: a mais simples, e a única que recusa o cash out

A licença n.º 024 pertence à Solverde – Sociedade de Investimentos Turísticos da Costa Verde, S.A. Os termos são espantosamente claros: aposta mínima de 0,10 €, sem limite máximo fixo — que depende do evento, do tipo de aposta e do mercado —, sem opção de Cash Out, e ganhos de uma aposta desportiva pagos assim que todos os eventos da aposta terminam, num prazo máximo de 15 minutos.

A recusa do Cash Out não é uma falha técnica nem uma preguiça; é uma posição. O cash out é uma saída antecipada com preço definido pela casa, e quem o aceita aceita uma segunda margem sobre a primeira. Uma casa que o recusa diz: aqui dentro ou se fica até ao fim. Quem queria poder sair a meio de um jogo difícil tem de escolher outra casa — e essa escolha é uma escolha sobre risco, não sobre comodidade.

Os 15 minutos de pagamento são, no mesmo pacote, a parte mais valiosa da informação. Uma aposta liquidada em quinze minutos permite procurar a próxima sem esperar pelo banco, o que muda o ritmo de uma sessão. Com o mínimo de 0,10 €, é também uma casa que aceita ser usada com pouco dinheiro — com a contrapartida óbvia de que a diferença entre duas casas é, no fim, uma diferença de margem por aposta.

Placard.pt: o mínimo de dez cêntimos e as ferramentas de limite

A licença n.º 013 é da SAS Apostas Sociais, Jogos e Apostas Online, S.A. É o único nome da lista com duas letras que confundem: há o Placard da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e há o Placard.pt, que é uma casa de apostas online com licença própria. São empresas diferentes, sem bases de dados nem cotas partilhadas.

Nos termos do Placard.pt, o valor mínimo de uma aposta é de 0,10 €, o valor máximo e mínimo das apostas desportivas é definido pelo operador e pode variar com os limites do evento, e não há limites mínimos nem máximos próprios de depósito e levantamento além dos limites legais do instrumento de pagamento. A ferramenta mais importante está no segundo parágrafo: a plataforma disponibiliza mecanismos para impor limites de apostas, de depósitos e de perdas, e a autoexclusão tem duração mínima de três meses.

Uma aposta de dez cêntimos não é uma filetagem; é a granularidade certa para quem está a testar um método, a queimar um palpite pequeno ou a fazer uma entrada de valor num mercado onde a cotação é 1,30. Com um mínimo desse tamanho, o erro de cálculo custa dois cêntimos e a experiência de ejecutar ganha utilidade.

E há uma coisa que nenhum dos outros nomes da lista tem da mesma forma: os limites. Uma casa que oferece limites de apostas, depósitos e perdas está a dizer que o jogador pode decidir, antes de começar, quanto entra e quanto se arrisca. Isso não é um produto; é o que a lei exige que exista (a Orientação n.º 1/2020 obriga a que os termos mostrem a parte de cada aposta paga de saldo real e de saldo de bónus). Que a maioria das casas também terá limites não é razão para não os ter; é razão para os usar.

LeBull: o telemóvel como casa de apostas

A licença n.º 027 pertence à Southern Stingray, S.A. A app oferece apostas desportivas em futebol, ténis e basquetebol, com cotas e mercados atualizados em tempo real, numa aplicação pensada para telemóvel. E faz uma coisa que os regulamentos não exigem: remete o jogador para a autoexclusão da página do SRIJ e recomenda definir limites de tempo e de valor.

Que uma casa remande para o registo de autoexclusão do regulador antes de o cliente perder o controlo é uma raridade no setor. O gesto significa duas coisas concretas. A primeira é que a aplicação sabe que existe um registo central, e que o Autoexcluir ali não toca só naquele sítio. A segunda é que os limites de tempo e de valor são MUI coisas que a casa não impõe: são decisões do jogador.

Ténis e basquetebol com mercados em tempo real significam que quem faz a vida a seguir uma liga encontra aqui os dois desportos que mais crescem em volume de apostas. O caminho é curto, do marcador à aposta, sem casa de apostas a pedir licença a cada entrada.

O que está no centro: cota, stake e resultado

Uma aposta desportiva é uma aposta sobre um prognóstico relativo ao resultado de uma competição desportiva previamente identificada, cujo resultado é incerto e não depende da vontade dos participantes. Uma aposta à cota é aquela em que o apostador joga contra o operador sobre uma cota de 1,00 ou mais, fixada antecipadamente, e o prémio é a stake multiplicada pela cota (art. 4.º do RJO). Esta é a definição legal, e ela diz três coisas que valem para tudo o que segue.

Diz que o resultado é incerto. Não é uma formalidade: é o que separa uma aposta de um negócio. Uma aposta em que o apostador sabe o resultado não é uma aposta, e o regime recusa-se a licenciar o que permite saber. A definição também exclui tudo o que dependa da vontade de quem participa — o que, lido ao pé da letra, deixa fora o jogo onde o comportamento dos atletas faz parte do resultado.

Diz que a cota é fixada antes. Uma vez published o preço, é o preço. Subir ou descer a cota depois da aposta é mudar as regras a meio, e é exatamente isso que o artigo impede.

Diz que o prémio é a stake pela cota. E aqui está o ponto onde quase toda a gente lê mal: o prémio é o que recebe, não o que ganha. Uma aposta de 10 € a 1,90 devolve 19 €. O ganho é 9 €. A diferença entre as duas contas é o dinheiro que se arriscou, e é a diferença que desaparece quando alguém diz «vou ganhar 19 euros».

É também por aqui que entra a cota mínima legal de 1,00. Uma aposta a 1,00 ou mais devolve pelo menos o que foi apostado, e é por isso que a cota de 1,00 aparece na lei: é a fronteira abaixo da qual o jogo deixa de ser um jogo. Nenhuma lei em Portugal fixa uma cota mínima acima disso; quem a impõe é a casa, e cada uma escolhe o seu chão.

A margem, que não está escrita em lado nenhum

Agora a parte que este trabalho não tem como omitir. Quando se olha para duas apostas iguais — Time A a 1,90, Time B a 1,90 —, cada uma das duas devolve a stake multiplicada pela sua cota quando acerta, e as odds de casa dizem que há uma margem dentro dos preços. Calculando: a soma dos inversos das duas cotas dá 1/1,90 + 1/1,90, ou seja, cerca de 1,053. O inverso disso é o retorno ao jogador, aproximadamente 95 %. A margem é o que sobra, cerca de 5 %.

Traduzido em dinheiro: num conjunto de apostas de 100 € neste mercado, a casa paga cerca de 95 € e fica com cerca de 5 €. Essa é a margem do mercado de dois resultados, com as duas cotas a 1,90. O número não muda se a aposta for simples ou múltipla; muda se mudar o mercado. Num mercado de três resultados (1X2, com empate) a mesma conta com três quotas dá uma margem tipicamente mais baixa por aposta, porque há mais volume a cubrir. Num mercado de handicap ou de golos, com muitas linhas, cada linha é o seu próprio mercado com a sua própria margem. A margem não é uma propriedade da casa de apostas: é uma propriedade do mercado.

O que importa para quem aposta: uma margem de 5 % significa que o valor esperado de uma aposta de 10 € neste mercado é cerca de 9,50 €, se as cotas estão bem calculadas e se o apostador não tem vantagem real. Não é que cada aposta devolva 9,50 €. Uma aposta ganha devolve 19 €; a outra devolve 0. A margem é a média de todas elas, e é contra essa média que se joga.

A palavra que aparece em todas as fichas

«Melhores odds», «odds melhoradas», «boost». São as três formas de uma promessa que, na prática, é a mesma: o preço melhorou um bocadinho e, com isso, a margem encolheu um bocadinho. Um bónus de +50 % nas múltiplas, típico da Betclic, parece maior do que é, porque só se manifesta quando a múltipla ganha — momento em que o apostador já tinha GANHADO. A melhoria da cota é o melhor dosucentos argumentos de venda porque não custa ao operador quase nada: a casa paga mais num cenário que já estava a pagar.

A margem é o custo real de toda esta conversa, e ela está em todas as apostas — nas que têm bónus e nas que não têm. Um mercado com margem de 5 % e um mercado com margem de 3 % não são duas apostas parecidas; são duas apostas em que a segunda devolve mais por cada euro, em média, e é essa diferença que decide qual vale a pena.

Em Portugal, oferecer jogos e apostas online sem licença é crime. A lei define-o assim (art. 49.º do RJO) e a pena é de prisão até 5 anos ou multa até 500 dias. O SRIJ diz que qualquer operador com um sítio acessível a partir de Portugal e sem licença age de forma ilegal, e que um jogador de um sítio ilegal pode enfrentar uma contraordenação com coima entre 2 500 € e 25 000 € — a classificação do SRIJ é uma posição do serviço, e nenhuma coima efetivamente aplicada foi localizada.

Uma folha de licença em papel com um selo vermelho, pousada numa secretária de madeira ao lado de uma caneta
A oferta de boas-vindas multiproduto da Betano chega a 250 € e tem quatro etapas: na 1.ª, depositar 10 € dá 30 € para jogar (20 € em apostas grátis e 20 rodadas).

O que a lei diz é claro e o que a lei não diz também é. Uma licença estrangeira não é válida em Portugal (art. 9.º n.º 3). Uma licença válida noutro país vale para operar noutro país, não em Portugal. A licença é uma autorização territorial, e um-passaporte-europeu não a substitui.

O sítio tem de estar em .pt, com todo o acesso de Portugal redirecionado para lá (art. 28.º n.º 1), e tem de ostentar o logótipo do SRIJ e a referência da licença (art. 30.º). É uma obrigação pequena no papel e decisiva na prática: um endereço terminado em .pt não garante licença nenhuma, e um endereço estrangeiro com lots de licença não a garante. A verificação é a lista. O SRIJ mantém o registo de entidades licenciadas e dos seus sítios, atualizado a 19 de outubro de 2026.

Duas datas neste texto merecem o seu peso exato. Em 24 de julho de 2026 foram emitidas as licenças da Retabet (Retabet Portugal, S.A.) e da Vincino (Play Jogo Limited) como entidades autorizadas a explorar jogos e apostas online em Portugal; a divulgação do SRIJ sobre as duas novas autorizadas é de 6 de outubro de 2026. E a lista de entidades licenciadas, na versão de 19 de outubro de 2026, nomeia 19 marcas — 13 com licença de apostas desportivas à cota, das quais 10 em atividade e 3 suspensas a pedido da entidade. O resto são casinos.

Três marcas com muita presença na publicidade digital não constam da lista: bet365, Betway, Unibet, William Hill, 1xBet e 22bet. Nenhuma tem licença em Portugal. Se um sítio oferece apostas desportivas a um jogador português sem licença do SRIJ, está a operar de forma ilegal, e o bloqueio é a ferramenta que funciona (arts. 47.º e 31.º). O SRIJ notifica o operador para parar em 48 horas e, se não parar, notifica os prestadores de serviços de Fm intermediação, que têm de tornar o acesso impossível em 48 horas. Até 31 de março de 2026, o SRIJ tinha contado 1 739 notificações a operadores ilegais, 2 930 sítios comunicados a prestadores e 71 participações ao Ministério Público — notificações para bloqueio, não bloqueio consumado.

Do lado do jogador, a diferença entre um sítio com licença e um sem é concreta. Com licença: verificação de identidade, ferramentas de limite de apostas, depósitos e perdas, registo de autoexclusão, supervisão do SRIJ e a possibilidade de reclamar. Sem licença: nada disso, e a possibilidade de uma contraordenação com coima. Nenhum dos lados é «a escolha segura» por omissão — um é legal e fiscalizado, o outro não oferece proteção nenhuma.

O que se pode apostar, e o que não se pode

A lista de modalidades e competições que o SRIJ aprova (art. 5.º n.º 5) é fechada, e o que não está nela não está licenciado. A lista também fixa, por modalidade, os tipos e momentos de aposta e os tipos de resultado, e o SRIJ pode alterá-la. A página «Modalidades echließinite Modalidades e competições», atualizada a 9 de outubro de 2026, permite apostas simples e múltiplas, pré-evento ou em direto.

O futebol é o exemplo mais útil, porque a lista é detalhada. «Próximo marcador» e os mercados de prolongamento e de Deserializer são só em direto; «pontapé de saída» é só pré-evento; a maioria dos outros mercados — 1X2, golos, cantos, handicap, resultado exato, primeiro marcador — é permitida nos dois momentos; e os mercados rápidos, «próximo minuto» e «próximos 5 minutos», não são permitidos.

Isto tem uma consequência prática que apanha muita gente de surpresa: o mercado de cantos existe, está autorizado nos dois momentos, e tem limites de stake que variam com o evento e com o mercado. O mercado de handicaps também. O que não existe são os mercados de velocidade extrema — os que Pagamento em trinta segundos e fecham-se antes de se conseguir confirmar o símbolo da equipa. Não é proibição; é ausência na lista.

Modalidades na lista: andebol, atletismo, badminton, basebol, basquetebol, ciclismo, críquete, dardos, desportos de inverno, desportos motorizados, futebol americano, futebol, futebol de praia, futsal, golfe, hóquei em campo, hóquei em patins, hóquei no gelo, MMA, padel, pólo aquático, rugby, snooker, surf, ténis, ténis de mesa, voleibol, voleibol de praia, e ainda os Jogos Olímpicos. Não há e-sports nem desportos virtuais na lista de 9 de outubro de 2026 — o que é dizer que não constam da lista, não que uma lei os proíba. Política e prémios de entretenimento também não lá estão.

E há uma proibição que é de lei e não de lista: as categorias de formação. É proibido apostar em qualquer evento, teste ou competição abaixo do escalão sénior (art. 5.º n.º 6). Esta é uma das poucas proibições taxativas do RJO, e não admite exceções nem interpretação. Quem vê um jogo de juniores num mercado e encontra nele uma aposta, está diante de uma oferta ilegal.

Há outra, mais fina (art. 6.º i)): quem possa influenciar um resultado — árbitro, treinador, atleta, agente — não pode apostar em eventos a que esteja ligado. É a regra que impede a aposta sobre uma decisão própria.

A Casa: dois Placard, uma confusão permanente

Há dois Placard e a confusão entre eles é a fonte mais comum de erro neste país. O primeiro é o Placard da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa: apostas desportivas de cota fixa, de base territorial,de natureza local, feita em talões ou em terminais da Santa Casa ou dos seus mediadores autorizados, sob o Decreto-Lei n.º 67/2015. O segundo é o Placard.pt, casa de apostas online com a licença n.º 013 da SAS Apostas Sociais. O RJO exclui do seu âmbito os dois regimes estatais (art. 2.º n.º 2 h) e i)).

Ou seja: o Placard online não é o Placard da Santa Casa. São empresas diferentes, sem bases de dados nem cotas partilhadas. Dizer «Placard» sem especificar qual deles está a dizer metade do que se quer dizer. E o Totobola é uma jogo deeu lotarias estatais, uma aposta de pools sobre a classificação da Liga Portuguesa, não uma aposta à cota de uma casa de apostas: nunca aparece ao lado de uma casa como se fosse uma.

Publicidade, impostos e o resto da moldura

A publicidade a jogos e apostas tem uma lei própria e está em vigor (art. 21.º do Código da Publicidade, Decreto-Lei n.º 330/90): tem de ser socialmente responsável, proteger menores e grupos vulneráveis, não apelar a ganhos fáceis, não sugerir sucesso, posição social ou aptidões especiais através do jogo, não’encorajar o jogo excessivo, não mirar menores, não aparecer dentro ou a menos de 250 metros de escolas ou instalações de menores, e não pode ser associada a empréstimos. O SRIJ e a comissão de jogos fazem a fiscalização.

O que a lei não diz é tão importante como o que diz. Não existe uma janela horária fixada para televisão ou rádio, não existe uma proibição de influenciadores e não existe uma interdição de patrocínio a clubes ou ligas — o patrocínio a clubes e ligas é prática de mercado, não norma legal. As iniciativas parlamentares de setembro de 2025 e de junho de 2026 sobre publicidade, influenciadores e patrocínio são propostas, não lei. É fácil escrever-se um texto sobre apostas que se refere a qualquer uma destas coisas como se existissem.

Os bónus seguem orientação do SRIJ, não statute. Os termos têm de mostrar a parte de cada aposta paga de saldo real e de saldo de bónus; o requisito de aposta em dinheiro real para usar um bónus nunca pode exceder o valor do bónus (Orientação n.º 1/2020); as promoções dão bónus ou créditos e nunca convertem diretamente em dinheiro (Orientação n.º 2/2018); e os créditos de bónus contam para os limites que o jogador próprio fixou e contam como stake para efeitos de IEJO (Orientação n.º 2/2017). Não há tecto de euros para um bónus, não há proibição de bónus de boas-vindas e não há prazo legal para o cumprimento dos termos.

O imposto é do lado do operador, não do jogador: o Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) incide sobre as apostas desportivas a cota fixa em 8 % das stakes (o valor apostado, mais qualquer comissão cobrada), não sobre a receita bruta (art. 90.º do RJO). A escala progressiva de 8 % a 16 % que textos mais antigos descrevem foi revogada — nunca escreva «8–16 %». Os créditos de bónus usados contam como stake. O imposto do selo de 4,5 % sobre o preço de cada aposta e de 20 % sobre a parte de um prémio acima de 5 000 € é do regime de retalho da Santa Casa e não se escreve para marcas com licença do RJO.

Para quem ganha, a posição reportada em outubro de 2026 é a seguinte: os ganhos pagos por um operador licenciado não são tributados nas mãos do jogador e não são declarados. Esta é uma informação veiculada pela imprensa, não confirmada numa página da autoridade fiscal, e o fecho obrigatório é: confirme com a Autoridade Tributária ou com um contabilista. Para ganhos de um sítio não licenciado ou estrangeiro, a posição não está estabelecida — não escreva «sem imposto» nem «tributável». E a proposta de tributar os ganhos líquidos anuais acima de 500 € é apenas uma proposta, não lei. Isto é nível de modelo, não advise.

Limites, verificação e o número que não existe

A lei não fixa tecto de euros para a stake, para o depósito ou para a perda. Não existe um valor máximo em Portugal que um jogador não possa ultrapassar, e é um erro escrevê-lo. O que a lei exige é o mecanismo: o plano de jogo responsável do operador tem de permitir ao jogador limitar os valores depositados e as apostas colocadas — o SRIJ diz que no mínimo um limite diário, semanal ou mensal —, e esse limite só vale no operador onde foi definido. Quanto tempo demora a levantar um limite não está estabelecido, e é uma pergunta que se faz a uma casa e não a uma lei.

A identidade verifica-se com o Cartão de Cidadão, com a Chave Móvel Digital, com uma verificação em tempo real através do SRIJ ou com uma cópia de documento (art. 37.º), e há uma conta por pessoa e por sítio (art. 40.º n.º 2). Os limites que o jogador fixa contam também para os créditos de bónus (Orientação n.º 2/2017).

A autoexclusão (art. 39.º do RJO) funciona em dois sítios, e a diferença é essencial. Feita no sítio de um operador, bloqueia esse sítio e só esse. Feita na plataforma do SRIJ, bloqueia todos os sítios licenciados. O período mínimo é de três meses, até uma data escolhida ou por tempo indeterminado; terminar ou encurtar a autoexclusão só tem efeito um mês após a comunicação. Uma exclusão de período fixo suspende a conta e permite levantamentos; uma indeterminado cancela a conta e o saldo vai para a conta de pagamento do jogador. E ninguém abre conta durante uma exclusão — é essa a razão de ser de um registo central que o SRIJ mantém (art. 47.º).

«Proibição» é outra coisa: é a entrada nos casinos físicos, e não se mistura com a autoexclusão online. Se um texto usa as duas como sinónimos, esse texto não sabe de que está a falar. Os sítios não licenciados não estão ligados ao registo de autoexclusão — autoexcluir-se num deles não impede a entrada no seguinte.

A ajuda está na Linha 1414, o SOS Jogador do ICAD, em dias úteis, das 10:00 às 18:00, gratuita e confidencial.

Jogo responsável: onde a diferença aparece

A ferramenta mais importante de uma casa de apostas com licença em Portugal não está no ecrã: está no momento em que alguém decide, antes de começar, quanto pode perder. As casas são obrigadas a dar essa possibilidade (o mecanismo do plano de jogo responsável), e duas das casas desta lista descrevem-na nos seus próprios termos.

O Placard.pt disponibiliza ferramentas para impor limites de apostas, de depósitos e de perdas, e faz isso nos termos da marca (v2.1.1, de 23 de outubro de 2026). A LeBull, na aplicação, remete diretamente para a autoexclusão da página do SRIJ e recomenda definir limites de tempo e de valor. As duas coisas são diferentes em natureza: a primeira é um botão dentro de um produto, a segunda é um atalho para o registo nacional.

Um limite de perdas é mais útil do que um limite de apostas, e é menos popular. O limite de apostas diz quanto se pode apostar por vez ou por dia; o limite de perdas diz quanto se pode perder, e é esse o número que protege a carteira quando a sequência de resultados é má. Quem ganha muito num dia e perde mais no seguinte está a ganhar dinheiro e a perder o controlo ao mesmo tempo — só o limite de perdas apanha isso.

O limite de tempo é o mais ignorado dos três. Uma sessão de duas horas com apostas de meio euro continua a ser jogo, e o damage não vem do valor, vem da duração nem da atenção degradada no fim.

Um ponto sobre a autoexclusão que merece ser dito com clareza: ela não é uma falha que se confessa, é uma ferramenta administrative. Três meses é o mínimo legal, pode ser por tempo indeterminado, e termina — com um mês de atraso na resposta. Quem entra em autoexclusão não está a admitir que não sabe jogar: está a usar uma porta que a lei mandou abrir. O SRIJ mantém o registo central (art. 47.º) precisamente para que a porta não dependa da boa vontade de uma casa.

E há o que uma casa com licença não oferece. Um operador não pode fazer empréstimos a um jogador (art. 42.º). Todo o dinheiro que entra no jogo é o dinheiro do jogador, e a lei proíbe explicitamente que alguém o empreste para jogar. Se uma oferta de «financiamento» surge, não é da casa de apostas: é de outra coisa, e é de outra natureza.

Crypto, bitcoin e o que a lei não diz

A busca por «como apostar em bitcoin» leva a um lugar onde a lei é mais silenciosa do que a publicidade. O enquadramento é claro no essencial: os instrumentos de pagamento têm de ser eletrónicos, em euros, emitidos por prestadores autorizados e identificar quem paga (art. 37.º, 38.º, 40.º, 42.º). Não há pagamento anónimo. Todo o dinheiro que entra na conta de jogo é rastreável até uma conta em nome do jogador, e o levantamento só pode ser feito para essa conta.

O que a lei não estabelece é a lista de métodos de pagamento aprovados e qualquer regra sobre carteiras eletrónicas ou cripto. Não escreva que a bitcoin é proibida, nem que é permitida. A posição honesta é que a lei não fixa a resposta, e que a resposta prática é individual: cada operador declara os seus métodos nos seus próprios termos, e essa declaração é a lei aplicável a essa casa. Uma casa que aceita cripto e outra que não aceita estão ambas a cumprir.

O que se pode afirmar sobre o ambiente offshore, sem exagero e sem o defender: existem sites com .com e licenças estrangeiras que aceitam jogadores portugueses e aparecem nos resultados de busca. Nenhum deles tem licença em Portugal. SRIJ diz que qualquer operador com um sítio acessível a partir de Portugal e sem licença age de forma ilegal, e que o jogador de um sítio ilegal pode enfrentar uma contraordenação com coima de 2 500 € a 25 000 €. Um jogador num sítio offshore não tem proteção legal nem acesso às ferramentas de jogo responsável dos operadores licenciados. É uma zona sem proteção, apresentada como zona sem proteção, sem detalhe de métodos de pagamento e sem detalhe de bónus — porque desses detalhes torna a zona aceitável, torna-a apenas mais difícil de recusar.

Estratégia: o que se pode e o que não se pode fazer

A pergunta mais repetida desta Searches é «como apostar e ganhar». Vale a pena respondê-la com a precisão que merece.

Ninguém sabe o resultado de um jogo. Nem um modelo, nem um Site, nem um sistema. Por isso a primeira coisa a-rules- out é a ideia de que um método garante resultado, e a segunda é a ideia de que um método é neutro. Um método de análise é um método de escolha, e escolherheap coisas é sempre escolher um conjunto de apostas com uma margem.

O que a margem faz é previsível: cada aposta tem um valor esperado negativo, e a magnitude desse valor é a margem do mercado em que se aposta. Apostar num mercado de handicap, onde a margem é alta, custa mais em média do que apostar no 1X2. Apostar num mercado com muitas linhas faz o mesmo. E a aposta múltipla não muda a margem linha a linha: multiplica os odds e multiplica também o valor esperado negativo, que é pior que a soma.

Isto explica uma coisa que os apostadores notam sem conseguir nomear: as estratégias de progressão (Martingale, doubling,crease o que perdeu) não criam margem, apenas a aplicam mais depressa. Uma sequência de progressão sobre um mercado de margem alta não aumenta o ganho esperado — aumenta a probabilidade de uma perda que consome o bankroll inteiro numa tarde. O bankroll não é o número de apostas que se pode fazer; é a distância entre o limite de perdas que se fixou e o zero.

O que há a fazer, e é legítimo, é escolher melhor o que se aposta e melhor a que preço. Comparar a cota de um mercado na casa A e na casa B antes de apostar é uma operação simples e legítima. O que não funciona é o que depende de uma previsão do resultado: nenhuma linha do sistema transforma uma aposta com margem em aposta sem margem.

Uma última nota sobre a Bankroll: a distância entre o limite e o zero é uma decisão que se toma antes de começar. Ao contrário do cash out e da alteração da cota, é a única variável da operação que está inteiramente nas mãos do jogador.

Formatos de aposta: o que a cota faz consigo

Uma aposta simples é uma prognostic num só evento. Uma aposta múltipla (ou combinada) é a soma de vários prognósticos num só bilhete, e o preço final é o produto dos preços individuais. Uma aposta de sistema é uma combinação estruturada de vários prognósticos em vários bilhetes, com retorno variável conforme quantas partes certas ficam.

A matemática das três é a mesma quando se olha para a margem: o preço de uma múltipla de quatro pernas a 1,90, 1,90, 1,90, 1,90 é cerca de 13,03. Uma aposta de 1 € nessa múltipla devolve 13,03 € se as quatro acertarem e nada se alguma falhar. E é esse price — 13,03 por 1 € — que torna a margem da múltipla pior do que a de uma aposta simples. A margem de cada uma das quatro pernas multiplica-se. Ninguém ganha por haver mais pernas; o que acontece é que o preço da aposta sobe mais depressa do que a probabilidade de acertar.

O cash out merece uma nota separada, porque é a função que mais marketing tem e menos explicação. Cash out é encerrar a aposta antes de o resultado estar fechado, recebendo um valor que a casa calcula. Esse valor tem uma margem própria dentro dele — a casa nunca dá o valor justo do que a aposta valeria agora. Um cash out a 60 % do valor original pode ser exatamente o valor correto, ou pode ser 55 %, ou pode ser 50 %. Quem aceitou sabe que está a aceitar uma segunda margem depois de já ter pago a primeira. A Betclic tem Cash Out na aplicação, e a Solverde não tem — o que é uma escolha, não uma falha.

O empate que anula a aposta (draw no bet) é outra função que muda a equação. Se o resultado for empate, a aposta anula e a stake volta. Isto parece vantajoso porque protege o empate, e protege: numa partida com três resultados e sem empate, ele paga mais. Mas o preço reflete-o, e a margem continua lá dentro. O desenho é menos óbvio do que parece: quem escolhe empate anula está a trocar uma parte da margem por uma proteção contra um evento específico.

Os mercados de cantos são dos mais procurados e dos mais flagship em quota. Estão autorizados nos dois momentos e são dos que têm limites mais apertados. É também o mercado onde a variação entre casas é maior, porque as cotações de cantos dependem muito da casa que as perde. É um mercado para comparar cotações, não para adivinhar números.

Desportos e competições: onde está o calendário

A lista de modalidades tem vinte e oito desportos e os Jogos Olímpicos. Futzal, hóquei no gelo, hóquei em patins, padel, surf, wake, snooker, dardos e MMA estão lá ao lado do futebol e do ténis. Abrangência não é qualidade: uma casa pode cobrir vinte e oito modalidades e ter um mercado thin em metade delas, e uma casa que cobre cinco pode ter o mercado de handicaps do futebol muito mais fino do que outra. O número de modalidades é um número de marketing; o que interessa é a profundidade do mercado que se vai jogar.

Em futebol, a Liga Portugal Betclic aparece como patrocinadora oficial da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal Betclic pela Betclic. Uma casa que patrocina a Liga tinha um incentivo comercial para ter a Liga com boa cobertura — é a competição que os clientes portugueses seguem. Uma casa que não patrocina mas tem licença pode ter a mesma competição com piores preços, e a diferença entre a cobertura da Liga de uma casa e de outra está nas linhas, não na lista de desportos.

As competitions não-juniores são o espaço de jogo legítimo (a proibição de escalões de formação é do art. 5.º n.º 6). Um mercado sobre um jogo de juniores é um mercado que não pode existir. Se existe, a oferta é ilegal.

Os Jogos Olímpicos estão na lista como modalidade. Uma aposta sobre uma competição que só acontece de quatro em quatro anos tem uma consequência que não é óbvia: o mercado é pouco comparado, e a margem de um mercado que ninguém afina é uma margem que ninguém corrige. São mercados onde a casa tem o monopólio da informação e o jogador não tem onde comparar.

Margem: a conta que toda a gente evita

Duas apostas iguais a 1,90, o exemplo mais simples que existe, e é nele que se vê o custo real do jogo.

O retorno ao jogador de um mercado é 1 dividido pela soma dos inversos das cotas de todos os seus resultados. Num mercado de dois resultados, com 1,90 em ambos: 1/1,90 + 1/90 = cerca de 1,053, e o inverso disso dá o retorno ao jogador, cerca de 95 %. A margem é o que fica, cerca de 5 %.

O que significa, em dinheiro: por cada 100 € apostados neste mercado, a casa devolve cerca de 95 € e fica com cerca de 5 €. Nenhuma aposta isolada devolve 95 %. Uma devolve 190 % (a stake mais o ganho), a outra devolve 0 %. A margem é a média de todas elas, e é contra essa média que se está a jogar.

Este exemplo não é uma citação de um preço de nenhuma casa nem de nenhum evento; é um valor ilustrativo de um mercado de dois resultados. Os números de cada casa e de cada evento são diferentes, e a única forma de saber a margem de um mercado real é fazer esta conta com as cotas que se vê no ecrã. Num mercado de três resultados, com uma margem tipicamente mais baixa por aposta. Num mercado de handicaps, com a margem de cada linha calculada à parte.

O erro mais comum com a margem é confundi-la com a probabilidade. A casa não está a dizer que o Time A ganha 52,6 % dos jogos; está a dizer que, se o preço fosse justo, a probabilidade seria essa, e o preço includes uma margem de 5 %. As duas coisas são diferentes e a diferença é o que fica com a casa.

Perguntas frequentes

Em que modalidades e competições se pode apostar numa casa com licença em Portugal?

Só nas que constam da lista que o SRIJ aprova (art. 5.º n.º 5), e só nos tipos e momentos de aposta que essa lista marcar. A página «Modalidades e competições», de 9 de outubro de 2026, permite apostas simples e múltiplas, pré-evento ou em direto, e enumera as modalidades: futebol, tênis, basquetebol, MMA, tênis de mesa, snooker, surf, padel, hóquei no gelo, entre outras. Não constam da lista os e-sports nem os desportos virtuais. Apostas sobre escalões de formação são proibidas por lei, abaixo do escalão sénior.

Como confirmo que uma casa de apostas tem licença do SRIJ?

Através da lista «Entidades licenciadas» do SRIJ, atualizada a 19 de outubro de 2026, e confirmando que a licença é da categoria «apostas desportivas à cota» e que o sítio termina em .pt, com o logótipo do SRIJ e a referência da licença (art. 30.º). Uma licença estrangeira não vale em Portugal (art. 9.º n.º 3). Uma entrada na lista não é um-ranging: a lista não esgota o mercado, e o que confirma a licença é a referência que a casa publica.

Como se calcula o que paga uma aposta a partir do valor apostado e da cota?

Numa aposta à cota, o prémio é a stake multiplicada pela cota (art. 4.º). Uma aposta de 10 € a 1,90 devolve 19 € se ganhar e 0 € se perder. O ganho, que é outra coisa, é 9 €. Numa múltipla, as cotas das pernas multiplicam-se: quatro pernas a 1,90 dão um preço de cerca de 13,03. O valor é um valor esperado, não um resultado — e o resultado de cada aposta é discreto.

Como se vê nas cotas a margem que uma casa retém?

Calcula-se o retorno ao jogador, que é 1 dividido pela soma dos inversos das cotas de todos os resultados do mercado, e subtrai-se de 100 % para obter a margem. Num mercado de dois resultados com ambas as cotas a 1,90, o retorno é cerca de 95 % e a margem cerca de 5 %. Em três resultados a margem por aposta é tipicamente menor; em handicaps e mercados de golos é calculada linha a linha. Quanto maior a margem, menor o retorno esperado de cada euro.

Os ganhos das apostas desportivas pagam imposto em Portugal?

Nas regras tal como reportadas em outubro de 2026, os ganhos pagos por um operador licenciado não são tributados nas mãos do jogador e não são declarados — informação veiculada pela imprensa e não confirmada numa página da Autoridade Tributária, pelo que a confirmação deve ser feita com a Autoridade Tributária ou um contabilista. Para ganhos de um sítio não licenciado ou estrangeiro, a posição não está estabelecida. O IEJO de 8 % é um imposto do operador, incidindo sobre as stakes e não sobre o jogador. Uma proposta de tributar ganhos anuais acima de 500 € é apenas uma proposta.

Que limites de depósito e de aposta existem numa casa com licença em Portugal?

Não existe um tecto legal de euros para a stake, o depósito ou a perda. O que a lei exige é o mecanismo: o plano de jogo responsável do operador tem de permitir ao jogador limitar depósitos e apostas, no mínimo um limite diário, semanal ou mensal, válido apenas no operador onde foi definido. Quem define limites é o próprio jogador, e eles contam para os créditos de bónus. Para a autoexclusão há o mínimo legal de três meses, com efeitos no SRIJ para todos os operadores licenciados, e a Linha 1414 (SOS Jogador, ICAD) em dias úteis das 10:00 às 18:00.

Preparado pelos editores de «Appsdedesporto».

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